sábado, 11 de dezembro de 2010

"Então eu tive um surto e chorei. Não sei, na verdade, se posso chegar a chamar isso de choro. Foram apenas algumas lágrimas solitárias que vazaram de meus olhos e baixos soluços provenientes da falta de ar por um instante. Não me parece um ato digno do nome 'choro', afinal. Apenas surto já cai bem. Porém, por mais insignificante que possa ter parecido visto por uma 3a pessoa (que, felizmente, não estava lá para ver), foi uma das coisas mais dolorosas dos últimos dias. Cada lágrima carregava em si mais sentimentos do que qualquer pessoa normal seria capaz de sentir. Dor, angústia, medo, ansiedade, dúvida, desespero, desistência, pena, solidão, receio. Se bem que eu não acho que nenhuma dessas palavras saiba expressar bem o suficiente o que eu senti. E essa é a pior parte: não há um nome para o meu sentimento, o que só aumenta a minha angústia. Afinal, como um médico seria capaz de tratar uma doença cujo nome ele desconhece? Portanto, tanto quanto a palavra misteriosa que eu espero um dia descobrir, a cura é desconhecida. Eu tenho medo de estar cometendo um erro. Sendo grande ou não, é outra história. O problema é que pode ser um ERRO. Essa palavra não deveria existir no meu vocábulo cotidiano. É proibida. Angústia de falhar. Receio de desapontar. Não aos outros, não! Acima de qualquer outra pessoa, meu pior medo é decepcionar a mim mesma. Minha mente absorve tantos pensamentos e, ao mesmo tempo, não consegue pensar em nenhum. Não há como se focar, é como se fosse uma grande bagunça que nem um Quartel General conseguiria limpar. Não, talvez o quartel consiga. Afinal, eles possuem metralhadoras, rifles e coisas do tipo. Deveriam ser capazes de erradicar qualquer coisa. Não eles, na verdade. As armas. Elas são a chave de tudo. São a resposta, a solução que conseguiria limpar a bagunça na minha cabeça. Metaforicamente falando, é claro. Porque, na realidade, essa solução iria fazer um belo estrago por fora, deixando a minha cabeça banhando em um festival de rubre..."

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